De que forma o decreto BIM afeta o seu negócio?

Para entender de que forma o decreto BIM afeta o seu negócio é necessário entender o processo de renovação industrial e atualização do mercado brasileiro. Em 2017, o Governo Federal lançou o guia “Rumo à Indústria 4.0” na busca para abrir o caminho das empresas nesse novo momento de mercado, mais tarde, no ano de 2018, o então Presidente da República Michel Temer, assinou o decreto de nº 9.377/18 determinando a promoção de um ambiente adequado para o investimento da tecnologia BIM, além de incentivar o seu uso em âmbito nacional. Se tratou da Estratégia Nacional para a Disseminação do Building Information Modeling (BIM), conhecida como Decreto BIM, a assinatura foi então reconhecida como passo decisivo para democratização do uso do BIM, inovação tecnológica que chega para revolucionar o processo construtivo. Mas, aqui estamos próximos a um ano do decreto e a pergunta que fica é “Como o Decreto BIM pode afetar meu negócio?”.

A sigla que em português pode ser traduzida por Modelagem de Informação da Construção, resume um modelo de gestão que visa aprimorar o funcionamento de empresas da construção civil. Para entender todo o contexto, deve-se ter noção do que se trata esse modelo, indo ainda mais a fundo. Em resumo, o BIM permite uma visão meticulosamente detalhada da construção e seus dados, que podem ser usados durante toda a vida da obra. Esse, surge de um modelo 3D do edifício que se refere a muito mais do que uma representação gráfica bem detalhada e com rico visual, pois constitui todo o equivalente real das seções utilizadas na construção desse edifício.

Essas informações permitem observar a simulação completa de todo o comportamento do edifício antes mesmo de sua construção. Através do modelo, poderão ser vendidas alternativas de design para a construção, onde as alterações são automaticamente modificadas nas plantas, seções e elevações, o que vem a facilitar todo o processo de documentação. Além disso, o BIM carrega, também, informações das demais áreas da construção, como a sustentabilidade e informações que não podem ser representadas visualmente, tal como o cronograma de coordenação de fatores, quantidade necessária de material e funcionários.

Compreendendo a ideia, o objetivo estratégico da Câmara Brasileira da Industria da Construção (CBIC) junto ao governo nacional é garantir que empresas de médio e pequeno porte também adotem o BIM em seus empreendimentos e projetos, com a finalidade de possibilitar maior produtividade, transparência e economia.

De acordo com estudo da Conference Board divulgado pela FGV, o Brasil sofre um gap de produtividade em construção, onde 68,8% dessa é inferior à produtividade da economia do país. No âmbito global, nossa produtividade representa 20,3% da produtividade americana, segundo mesmo estudo. Um cenário diretamente atrelado à mentalidade, aceitação e adoção de novos modelos e inovações em novas tecnologias, além da escassez de mão de obra. Estudo da PWC Global mostra uma ausência de inserção digital de 53% das organizações em mais de 26 países, junto a um crescimento constante no número de ferramentas e novas oportunidades.

Contudo, em meio a esse laque em produtividade e de adoção de inovações tecnológicas, encontra-se a necessidade e exigência de um mercado constantemente em transformação, assim, a adoção do modelo BIM surge não apenas como uma forma de melhorar a gestão e o funcionamento das empresas, mas como uma forma de possibilitar o suprimento de uma necessidade, o aumento da produtividade da construção civil, e essa é a grande mudança esperada das adoções do modelo proveniente do decreto.
Uma das primeiras instituições públicas a adotar a tecnologia no país foi o Exército, já relacionado às empresas de construção, apenas 5% dessas utilizam o modelo, segundo o jornal Valor Econômico.

Em contraste ao cenário nacional, no exterior, países como Holanda, Reino Unido, Noruega, Dinamarca, Estados Unidos e outros, já exigem o uso do BIM para projetos custeados pelo governo. Segundo estudos da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, se metade da cadeia de construção adotar o modelo até 2028, a expectativa é de um ganho de 7 pontos percentuais do PIB do setor. Para a agência, a utilização desse condiz com aumento de 10% na produtividade do setor e uma redução de custo de até 20%.

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